Tudo que se refere a Balzac pode estar certo, é denso, prolixo, no espaço e no tempo, mas tudo muito elaborado calculado e com nexo, sempre. Razão pela qual a crônica de hoje se restringir basicamente ainda, e sem pressa, a primeira parte do primeiro parágrafo do livro Os Jornalistas. Mas detidamente sobre a nota da edição francesa traduzida por João Domenech, que confesso, não sei quem é, e nunca ouvi falar até o momento da leitura de Os Jornalistas.

As preliminares também são importantes, por isso, a dissecação da Monografia da imprensa parisiense tende a demorar mais um pouco. É preciso paciência.

O primeiro paragrafo da nota francesa já nos chama à provocação; à leitura num primeiro momento, a quem disposto e afeito. E num segundo momento, ao contraponto, se for o caso e se for possível do que chamaria de metafisica do jornalismo, o que no final das contas é a metafisica da humanidade.

Balzac, segundo a nota traduzida no primeiro parágrafo, denuncia a onipotência do jornalista; a presunção de se deter uma espécie de poder absoluto, inquestionável. Os Jornalistas de Balzac, seus sucessores quer na França Napoleônica, quer nas Américas da internet se julgam possuidores exclusivos de metodologias do pensamento, do discurso verdadeiro, e que por esse motivo ajuíza tudo e a todos, geralmente a um bom preço conforme parecer de Os Jornalistas.

Essa análise balzaquiana é atualíssima e tem servido como princípio ativo para medir a qualidade e os tipos de jornalistas existentes na sociedade, e o quão essa espécie são benéficas ou prejudiciais à saúde coletiva.

Mais um diagnóstico balzaquiano para aferição do bem e do mal. Quando o jornalista não exerce sua atividade a conta gotas, com inteligência e bom senso, mas com rábula e descuido suficiente para num tempo pretérito, lhe ocorrer injurias justificáveis, isso demonstra quão absolutista é a prática. Não há justiça ou defesa da liberdade de imprensa que lhe dará conforto. Ao prudente portanto cabe o relato objetivo e isento dos fatos, e quando da emissão da opinião fundamentado no assento transparente dos fatos. Ou não?

Pois bem, ainda sobre a superfície do primeiro parágrafo, o leitor vai se deparar com alguns sinônimos atualíssimos, e que tem caracterizado há séculos as práticas culturais do jornalismo, são eles; a vaidade associada a venalidade; versatilidade e a preguiça. Essa última aos olhos da igreja é tipificado como pecado. O jornalista pecador. Se os costumes das fogueiras não tivesse cessado, muitos gendelettres estariam fritos, literalmente.

Essas “virtudes “palacianas nos remete aos acontecimentos recentes no Brasil e fora também, vide alguns veículos de comunicação eletrônicos, seus estetas e alguns ditos jornalistas que reproduzem discursos da institucionalidade sob um só compromisso.

Nesses tempos em que as sombras do obscurantismo insistem prevalecer sob o bom senso e a razão. Em que a pandemia virótica da insensatez aliada à manipulação operada por profissionais há anos entranhados na institucionalidade, e por jornalistas que se vendem às luxurias, a saída para muitos tem sido pedidos frequentes a Deus, para que tudo isso passe.

Vai passar, como tudo na vida passa e passará como versou o poeta. Nesse processo o jornalista também passa, como o pensamento. No caso de Os Jornalistas e seus parágrafos, estão aí há mais de dois séculos passando e repassando, e vai continuar assim para o bem ou para o mal.

Na próxima conversa voltemos com os parágrafos seguintes, simplesmente porque o tempo passa, ponto final.

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